segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Crônica Alheia - Retrato Político

A Morte de um Deputado Federal:  
 
Um deputado federal está andando tranqüilamente pelas ruas da periferia de Brasília quando é atropelado e morre.
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

-'Bem-vindo ao Paraíso!'- diz São Pedro

-'Antes que você entre, há um probleminha.

Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.

-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo deputado.

-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores... Vamos fazer o seguinte:

Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.

-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o deputado. '

-'Desculpe, mas temos as nossas regras.'

Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até  o  Inferno.

A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.

Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado.

Todos muito felizes em traje social.

Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.

Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.

Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas.

Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora.
Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.

Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por  ele.

Agora é a vez de visitar o Paraíso.

Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em  nuvem, tocando harpas e cantando.

Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.

-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.

Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde

-'Olha, eu nunca pensei ... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.'

Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.

Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.

O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do deputado.

-' Não estou entendendo', - gagueja o deputado - 'Ontem mesmo eu estive aqui  e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados !!!'

Diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:

-
" Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto..."


Lú Carvalho
E-mail recebido e postado. Ótima crônica. 

domingo, 5 de setembro de 2010

Enigma Antigo

Enigma
 
  
ANTIGO

Todo Grande Amor é Novo e Antigo.
Todo Novo Amor é Grande e Inesquecível.
Todo Antigo Amor é Novo e Grande.
Novo Amor é Todo Antigo Amor.
Inesquecível Novo Grande Todo Amor é.
Amor Amor Amor Amor Amor
Antigo
  • 04.09.2010 Marcella Laryssa (Imagem -Enigma)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vila das Fofoqueiras

Era domingo, em uma vila no sertão, duas fofoqueiras foram para frente de suas casas para fofocarem e falar da vida dos outros como faziam todas as tardes, fato muito normal em lugares pequenos como essa vila,.

Essa vila era conhecida por Pernambuco inteiro e seu nome era “Vila das fofoqueiras”.

Veia, que chegou primeiro na calçada, começou logo falando:

- Como aquela Mariana é safada! Bota “gaia” que só no marido dela e também dos outros.

- É mesmo, “mulé”! Ela é safada até umas horas.

- Pior é a irmã dela visse. Faz cada uma que nem te conto.

- Ouxe! É a família toda é?!

Nesse momento, Lola avistou no céu um enorme avião. Não resistiu e falou:

- Oia o avião “mulé”, dá tchauzinho pra ele. - enquanto acenava animada para o céu.

- “Ave” como tu é matuta...

- Até parece que tu já andasse nesse bicho!

- Num andei não, “mai” num me espanto desse jeito no “mei” da rua.

- Ah! Cala boca vai. Vai! – respondeu irritada Lola.

Com essa pequena discussão já ficaram aborrecidas e se calaram.

As duas fofoqueiras nem sabiam mais quem tinha começado a briga, mas perguntaram aos três garotos que passavam. Eles responderam e mostraram que quem começou foi a Veia e não a Lola.

Com o tempo, Veia e Lola não conseguiram ficam sem falar uma com a outra e, principalmente, sem fofocar. Uma hora depois da discussão, já estavam na rua fazendo o que mais gostavam: fofocar juntas. E Veia aprendeu a não falar mais de avião com Lola, afinal, a amiga era matuta de todo jeito.

Em um lugar como a Vila das fofoqueiras, de que vale a vida sem a fofoca? Nada, pelo menos para a Veia e para a Lola.

Texto produzido por: Marcella L. Souza e Vinicius S. Souza.



Qualquer semelhança é mera coencidência.