terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pablo Neruda


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.


Não me tires a rosa,a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,a repentina onda
de prata que em ti nasce.



A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.


Meu amor, nos momentos
mais escuros solta o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha as pedras da rua,ri,
porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.


À beira do mar, no Outono,
teu riso deve erguer sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,quero teu riso como
a flor que esperava,a flor azul, a rosada minha pátria sonora.


Ri-te da noite,do dia, da lua,
ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,


Nega-me o pão, o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,porque então morreria.


Pablo Neruda
Achei um lindo poema, lindooo!Por isso, postei. ^^

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Poema: Amigo


Amigo


Não conhece o começo
Mas afirma não ter fim.
Uma vida, eternidade
Cada dia, o todo tempo.

Muitos ou poucos
Cada qual merece os seus.
Amigos são construídos
No longo caminho da vida.

Em pulos e quedas
Mostram suas faces
Mas não importa mais
Apenas se vê o que se quer.

Desejo-lhe poucos
Porém bons amigos.
Amigos do coração,
Amigos do dia-a-dia.


Posso ter errado em minha poesia, em uma ou outra parte, mas o importante é que cada amizade é unica, e sendo verdadeira é infinita.