segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pablo Neruda [2]

Não te quero senão porque te quero,

e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.



Pablo Neruda

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Novamente em meus posts. Pablo Neruda.
Novamente em minha vida. Dando adeus.



Ser de Deus

"Ser de Deus: um grande desafio para o jovem hoje


Diante das condições em que vivemos hoje no mundo, numa realidade em que tudo que é contrário à proposta de vida cristã, é mais chamativo e sedutor para jovem, fica cada vez mais difícil para a juventude compreender e corresponder ao chamado de Deus.
Hoje temos a internet e diversos meios de comunicação que são muito bons para quem sabe usar, mas que também pode destruir a vida de um jovem, marcando profundamente em áreas que estão em desenvolvimento como a sexualidade, ente outras. Hoje existe as Lan-house que muitas vezes servem como alvo dos traficantes de drogas para espalhar o vício entre os jovens, e diversas outras coisas que poderia citar, como boates entre outras. O mundo cada vez mais desenvolve a idéia de que tudo é normal e o bonito é ser diferente. Para Deus isto é mentira, o desejo de Deus é que sejamos nós, à imagem e semelhança Dele. O que o mundo faz é nos escravizar, nos afundando no pecado e nos afastando cada vez mais da nossa essência que é o Senhor.

É devido a esta realidade que quero através desta matéria levar você jovem a refletir sobre sua vocação, Deus tem um chamado para cada pessoa, e convido você neste momento refletir sobre qual chamado Deus tem para você... Com certeza Deus não escolheu para mim e para você uma vida de dependência das coisas do mundo, mas sim um vida livre Nele. A medida que optamos pelo Senhor nos tornamos livre e ganhamos a liberdade de sermos chamados filho de Deus.
A alguns Deus chama para a vida civil, tendo a vocação de construir na sociedade o seu espaço através de sua profissão, a outros Deus chama a viver uma vida religiosa dedicando-se inteiramente a Ele através de serviço a Igreja. Qual a sua vocação? Para onde que achas que Deus te chama? A resposta você encontrará apenas quando fizeres um caminho que te levará a um autoconhecimento. Para um passo consciente e maduro, se faz necessário acima de tudo sabedoria.

Em Mateus 4, 19-20, podemos perceber que quando Jesus chamou aos discípulos, radicalmente eles deixaram tudo e o seguiram, este convite para fazer o acompanhamento vocacional também é uma oportunidade de conheceres melhor a qual chamado Deus tem para ti, mesmo mediante a realidade que o mundo tem, que é a de sufocar em nós o chamado de Deus. E possibilitar a você criar coragem e assumir sua vocação.

Deus te abençoe...


Em Deus,
Phillipe de Lima"

domingo, 6 de junho de 2010

Quatro coisas da vida

"Existem quatro coisas na vida que não se recuperam :

a pedra, depois de atirada;


a palavra, depois de proferida;


a ocasião, depois de perdida ;

e o tempo, depois de passado "

sábado, 5 de junho de 2010

Gerânio


Gerânio - Marisa Monte



Ela que descobriu o mundo

E sabe vê-lo do ângulo mais bonito

Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes

Sente e vive intensamente



Aprende e continua aprendiz

Ensina muito e reboca os maiores amigos

Faz dança, cozinha, se balança na rede

E adormece em frente à bela vista



Despreocupa-se e pensa no essencial

Dorme e acorda



Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana

Fala inglês e canta em inglês

Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus

E lava os cabelos com shampoos diferentes



Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa

E corre quando quer

Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano

E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga



Tem computador e rede, rede para dois

Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão

Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs

Vai ao teatro, mas prefere cinema



Sabe espantar o tédio

Cortar cabelo e nadar no mar

Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda

Estou com saudades e penso tanto em você



Despreocupa-se e pensa no essencial

Dorme e acorda

Muguet

A flor de Muguet

“Era uma vez um jardim maravilhoso, cheio de grandes tílias, bétulas, carvalhos, magnólias e plátanos.


Havia nele roseirais, jardins de buxo e pomares. E ruas muito compridas, entre muros de camélias talhadas.

E havia nele uma estufa cheia de avencas onde cresciam plantas extraordinárias que tinham, atada ao pé, uma placa de metal onde o seu nome estava escrito em latim.

E havia um grande parque com plátanos altíssimos, lagos, grutas e morangos selvagens. E havia um campo com trigo e papoilas, e um pinhal onde entre mimosas e pinheiros cresciam urzes e fetos.

Ora num dos jardins de buxo havia um canteiro com gladíolos.

Os gladíolos são flores muito mundanas. E aqueles gladíolos achavam que o lugar mais chique do jardim era esse jardim de buxo onde eles moravam.

… os gladíolos gostavam muito de ser gladíolos e achavam-se superiores a quase todas as outras flores.

Diziam eles que as rosas eram flores sentimentais e fora de moda e que os cravos cheiravam a dentista. Tinham grande desprezo pelas papoilas e pelos girassóis, que são plantas selvagens. E das flores da urze e das flores de tojo do pinhal diziam que nem eram flores.

Os gladíolos admiravam secretamente as camélias, mas não tinham muita consideração por elas: achavam que elas eram esquisitas e irritantes. As camélias são muito diferentes dos gladíolos: são vagas, sonhadoras, distantes e pouco mundanas. Estão sempre semiescondidas entre as suas folhas duras e polidas. Mas os gladíolos admiravam as camélias por elas não terem perfume, pois, entre as flores, não ter perfume é uma grande originalidade.

Mas as flores que os gladíolos amavam realmente, as flores por quem os gladíolos tinham uma admiração sem limites, eram as tulipas. Com as tulipas os gladíolos chegavam a ser subservientes e punham de parte a sua vaidade.

E o único desgosto da vida dos gladíolos era não serem tulipas. Porque as tulipas são caras, raras e muito bem vestidas. O seu feitio é simples, exacto e claro. As suas cores são ricas e sumptuosas. As suas pétalas são as pétalas mais bem cortadas e mais bem armadas que há no jardim.

Mas havia uma flor que os gladíolos detestavam. Era a flor de muguet.

O muguet é uma flor escondida. É uma flor pequenina e branca e tem um perfume mais maravilhoso e mais belo do que o perfume dos nardos.

Durante o Inverno ela dorme na terra debaixo das folhas secas e desfeitas das árvores. Dorme como se tivesse morrido. Mas na Primavera as suas longas folhas verdes furam a terra e crescem durante alguns dias até terem um palmo de altura. Então muito devagar as folhas vão-se abrindo e mostram à luz maravilhada as campânulas aéreas, brancas e bailarinas da flor do muguet. E o vento da tarde toma em si o perfume do muguet, leva-o consigo, e espalha-o no jardim todo.

Então tudo no jardim estremece e as grandes tílias e os velhos carvalhos e as flores recém-nascidas e as relvas e as borboletas dizem:

- É Primavera! É Primavera!

Só os gladíolos não gostam e dizem:

- Que flor tão exibicionista! Finge que se quer esconder, finge que é simples e humilde, finge que não quer que a vejam, mas depois transforma-se em perfume e espalha-se no jardim todo!

E à noite, quando vão à estufa visitar as begónias e as orquídeas, os gladíolos fecham a porta para não sentirem o perfume da flor do muguet.”



(Excerto de “O rapaz de bronze” de Sophia de Mello Breyner Andresen)